"Tentando compreender o mundo através do meu mundo ... Acredite, é desafiador! E não é diferente dos demais." (Eberson Oliveira)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Lendo as Entrelinhas: As viagens de Gulliver


Lendo as Entrelinhas: As viagens de Gulliver


Sendo a principal obra do escritor irlandês Jonathan Swift, Gulliver's Travels (1726) em português, As Viagens de Gulliver pode a princípio parecer apenas uma fábula oriunda de uma mente muito criativa, ou mesmo um apanhado de histórias narradas por um nobre mentiroso muito confuso, criativo e revoltado. De fato o é, caso o leitor não se dê o trabalho de esmiuçar o significado das alegorias utilizadas para abrandar as críticas ferozes aos costumes sociais e pensamentos políticos da época.
Lemuel Gulliver ganhava a vida como cirurgião em navios mercantes, assim passava pouco tempo no convívio com a sociedade de sua cidade natal, Redriff na Inglaterra, porém, conhecia muito bem os vícios que a corrompia e que mais tarde identificaria nas sociedades ultramarinas que haveria de conhecer em suas aventuras.
Ao todo foram quatro viagens, quatro incríveis aventuras entre reinos tão distintos quanto impressionantes. Apesar de reservar muitas páginas para a descrição dos aspectos físicos das criaturas que encontrou ao longo de suas viagens, Gulliver se preocupa essencialmente em relatar a organização social e política daqueles singulares povos ao mesmo tempo em que traça comparações críticas com as tradições européias daqueles tempos.
Entre naufrágios e motins, o autor (já que segundo o livro, aquela era obra do próprio Gulliver – interessante artifício quase realístico de Swift) sempre teve a sorte, mesmo que o aventureiro em nenhum momento reconheça isso, de escapar das águas ainda que isso sempre culminasse em situações ainda mais adversas.
Sua primeira viagem o levou a Lilliput, terra de homens tão pequenos quanto fúteis, sempre em guerra por motivos banais, grande oportunidade para criticar os constantes impasses entre Inglaterra e França. Já na segunda parte do livro, Gulliver é levado a conhecer Brobdingnag, onde o gigantismo dos habitantes, o faz evidenciar ao leitor a mediocridade da sociedade Inglesa que sempre se considerou grandiosa.
Laputa é a terceira terra da narrativa de Swift, uma terra flutuante onde a crítica é destinada ao modelo de governo irlandês, através da comparação com o regime opressivo em vigor naquela ilha. Ao descrever os cidadãos de Laputa, o autor se preocupa em relatar a insanidade e a ineficácia dos cientistas do lugar, uma alusão ao retrógado pensamento científico de seus contemporâneos, e de sua ineficácia em atender as demandas sociais.
Na última parte do livro, Gulliver relata sua experiência na terra dos Houyhnhm, uma espécie de cavalos inteligentes, aos quais cobre de predicados nobres, destacando sempre sua sensatez e brilhantismo. Também nessa terra vivem os yahoos, “humanos” irracionais repletos de instintos animalescos que o faz odiar sua própria espécie; Gulliver sonha em viver com os Houyhnhm pelo resto de seus dias, mas, como isso lhe é negado, retorna a Inglaterra e depois de muito relutar decide publicar as experiências vividas em suas viagens.
A leitura atenciosa dessa obra é necessária àqueles que queiram aguçar seu senso crítico sobre as emaranhadas relações que formam seu cotidiano, um livro audacioso e serio, mas que também é uma leitura prazerosa e indicada a todas as idades.


Por Josimar Assis

(As fontes são: Totalcine, Universidade Falada, Percevejo e Cinema uol)

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